O que é Gabber?

Gabber é alguém que ouve Hardcore Electronics... digamos que é mais do que um fã, é alguém que interpreta este estilo musical como "a way of life". Por outro lado, muitas vezes refere-se Gabber como o género musical em si: na Holanda, Gabber está associado a Happycore/Mainstream Hardcore, na Alemanha está associado a Speedcore...no resto do mundo as opiniões variam, mas é quase sempre uma "alcunha" para Hardcore. A palavra tem origem no Yiddish (língua judaica mais antiga) "chaver", e significa amigo ou companheiro. Quando os fãs de Hardcore no início dos anos 90 queriam entrar no Roxy em Amesterdão, era por vezes recusada a sua admissão, com o porteiro dizendo "Não gabber (=amigo), não podes entrar". O termo pegou e passou desde então a designar o conjunto de fãs de Hardcore.

 

O que é Hardcore?

Difícil de definir...é um género musical enquadrado na galáxia electrónica, próximo do Techno e do Industrial, mas usualmente mais agressivo. É uma das ovelhas negras da família electrónica (talvez aquela com problemas psicóticos)! Com velocidades quase sempre superiores a 160 BPM (batidas por minuto), usualmente entre 160-230 BPM, chegando mesmo aos 20 000 000 BPM (record mundial de velocidade). No entanto, não implica necessariamente uma batida, podendo ter breakbeats, breaks, ou afins. É um género extremo e a sonoridade musical é característica (basta ouvir algumas músicas). Devido aos subgéneros que se desenvolveram com o passar do tempo, torna-se neste momento difícil definir certos artistas e labels, e existem muitos projectos híbridos. A variedade sonora dentro deste género musical tornou-se imensa, e dentro da cena existe quem catalogue certos sons como Hardcore, e que nem considere tal opção para os mesmos. Apesar disso, uma grande parte das releases não suscita grandes dúvidas, e mesmo as que suscitam, acabam por ser consideradas por vários fãs como misturas de Hardcore com outros géneros (é uma questão de verem as listas de música dos fãs!). Se é difícil determinar se certa música é Hardcore ou não, classificar em subgéneros é por vezes impossível. Mas estes existem, e muitas pessoas apenas ouvem certos subgéneros e movimentos musicais dentro de Hardcore. Apesar da máxima "entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem", pode-se considerar que Hardcore se divide em vários subgéneros: Happycore, Speedcore, Darkcore, Noisecore, Breakcore, Digital Hardcore, Oldskool Hardcore...

 

O que é Speedcore?

Speedcore é o subgénero mais rápido dentro de Hardcore, com velocidades nunca inferiores a 230 BPM (usuais entre 230-1000 BPM). Este género é caracterizado por misturar samples de grind e speedmetal, barulho puro, e distorção, sendo sem dúvida dos estilos mais brutais do planeta... Apesar da velocidade ser uma factor algo determinante, a música vai para além da simples contagem de batidas por minuto: texturas sonoras cruas e agressivas, aliadas a uma construção frenética e muito tensa são habituais, como o podem ser paisagens futuristas, pinceladas por batidas industriais e ambientes obscuros, dominados pela pura imersão no futuro e num género que desde sempre se mostra igual a si mesmo, e único na forma como explora o som. Não existem fronteiras para Speedcore, que tanto pode assimilar nas suas composições grind e deathmetal (e mesmo Black Metal!), como ambient e noise. Distinguir Speedcore e Noisecore é difícil em muitos casos, sendo subgéneros que quase sempre co-existem. É um género particularmente underground, devido à sua natureza extrema e completamente anti-comercial.

 

O que é Noisecore?

Noisecore é um subgénero de Hardcore, que se caracteriza por misturar Power Electronics/Noise com Hardcore/Speedcore... brutal, barulhento e algo experimental, junta-se ao Speedcore como um dos géneros mais extremos à face do planeta... A velocidade é variável, desde 160 BPM a velocidades alucinantes...o que importa é a manipulação de batidas distorcidas e saturadas, e de puro barulho branco. Apesar do componente agressividade ser quase uma constante, o objectivo prima pela produção, pela viagem através do caos e destruição/reconstrução obtidos pelas samples e pelo ambiente criado em torno da música. Apesar de várias músicas em que a destruição sonora é o grande objectivo, muitas composições deste subgénero particular são completamente abstractas, e primam pela qualidade artística a nível de criação e originalidade, pretendendo transcender as barreiras do que é convencional (e mesmo do não-convencional).

 

O que é Darkcore?

Darkcore é um subgénero de Hardcore, que tanto pode ficar no intermédio de Gabber e Techno Industrial, como de Gabber e Noisecore. Usualmente bem construído, com boa qualidade sonora, e claro, com um som muito obscuro, industrial e algo tenebroso, tornou-se uma referência dentro do género. Consegue conciliar entre os seus fãs os Gabbers mais oldskool, como os Industrialheads mais progressistas. Usualmente agressivo, é também mais lento que o habitual, se bem que começam a surgir musicas mais rápidas com sonoridade típica de Darkcore. É um subgénero recente, e foi em 1999/2000 que se começou a diferenciar do Hardcore mainstream, tornando-se rapidamente não só mais "underground", mas um símbolo de experimentação em Hardcore-Gabber. É também o nome de uma série de CDs (Darkcore, que também tem uma rave com o mesmo nome). Essa série, no fundo, quase que iniciou o nome do género, sendo uma das melhores séries de Hardcore de sempre.

 

O que é Breakcore?

Breakcore é talvez o subgénero mais recente de Hardcore, caraterizado por batidas não 4/4 e batidas broken... é como que uma mistura de IDM, Industrial e Hardcore, usualmente bem experimental. Muitas vezes é editado em labels não Hardcore e ouvido por pessoas que até nem gostam de Hardcore mainstream. Está muito associado a Speedcore e Noisecore (eles são 3 e andam aos pares! lol). Apesar de poder ser extremamente abrasivo, foca-se mais no aspecto técnico de construção musical e na inovação, que muitas vezes ocorre pela incorporação de imensas influências, que vão desde power noise a jazz, até reggae – o chamado Reggaecore! A sonoridade varia muito de artista para artista, e de label para label: digamos que é o ministro dos negócios estrangeiros de Hardcore Electronics, pois está patente em muitas produções (especialmente mais agressivas) na galáxia electrónica.

 

O que é Oldskool?

Oldskool Hardcore não é nada mais que Hardcore primordial do período de 1990-94. Caracterizado por tons monótonos (que torna o subgénero algo mecânico e industrial), e por uma ligeira indefinição relativamente a outros géneros como o Techno, Acid ou Rave. É dos subgéneros mais respeitados de Hardcore, pois trata-se das origens do mesmo... e que não se pense que as músicas são "outdated", pois hoje em dia ainda são tocadas em raves e aparecem remixadas em CDs e Vinis! O subgénero tem um legião de fãs estável, e até merece salas especiais nas grandes raves como Thunderdome, Hellraiser, Masters of Hardcore e outras. O dia em que algo ou alguém perde as raízes, é o dia em que se perdeu a si próprio.

 

O que é Happycore?

Happycore é o subgénero também conhecido por Happy Hardcore. O nome diz tudo: é uma fusão de eurodance/rave e Hardcore. Sons felizes, vozes "pitchadas", pianos – é a música teen e comercial de Hardcore, odiada por imensos Hardcore Freaks por todo o mundo e adorada pelos candy-ravers... existe desde 1995, tendo nessa altura atingido quase toda a cena e tendo feito compilações como Thunderdome entrar nos tops da Holanda. Na Alemanha era também muito conhecido, tendo sido moda e criado artistas como Blümchen e Scooter. Após 1998 quase desaparece, voltando em 2000 apesar de não ter a mesma força... excepto no Reino Unido onde o U.K. Happycore é quase uma moda entre os ravers! Aí, a cena cresceu imenso, com compilações como a famosa Bonkers a tornarem-se lendárias... se bem que os produtores se contem pelos dedos das mãos – fazem umas 100 músicas por ano ou algo parecido! Neste momento, é um género relativamente popular entre a comunidade rave no Reino Unido, se bem que continua comercial e suave, como sempre  (embora relativamente rápido). Apesar de algumas músicas serem similares a Eurodance de 1995/96 (se se recordam da Blümchen), outras fazem lembrar uma mistura de Rave e Hardcore (com um toque de Trance acelerado) que havia nos tempos oldskool, e outras são similares ao Hardcore mainstream holandês. Também há quem designe este subgénero, na brincadeira, por Funcore ou Cheesecore!

 

O que é Makina?

Makina é o nome dado pelos espanhóis a uma corrente musical que existe desde o final dos anos 80. Mas eu vou-me referir apenas a Makina que existe desde meados dos anos 90, o chamado Happycore espanhol, que tanto pode ser similar a uma mistura de Happycore e dance comercial (letras e melodias ainda mais mainstream que Happycore!), como uma fusão de Hardstyle e Hardcore comercial. A qualidade musical usualmente não prima, nem a inovação – muito menos a agressividade típica de Hardcore, pois usualmente as músicas são relativamente suaves, com batidas pouco ou nada distorcidas, e samples fracas, ou mesmo ridículas. Muitos fans de Hardcore nem sequer consideram Makina como parte da cena Hardcore. No entanto, Makina partiu de Hardcore comercial e Happy Hardcore. Desenvolveu uma sonoridade algo típica e uma cena muito própria. A música continua muito comercial e algo básica, similar a U.K. Happy Hardcore, ou a Hardcore comercial holandês (talvez mais com um toque Hardstyle). A cena espanhola cresceu imenso nos últimos anos, com festas onde este tipo de Happycore comercialíssimo é moda. Actualmente, DJs holandeses mainstream, como Paul Elstak, Korsakoff, Endymion, Neophyte e outros, já visitaram as festas espanholas de Makina e Hardcore. No entanto a cena espanhola é muito baseada em discotecas, e em Makina e Hardcore mainstream, muito viradas para a comercialização com merchandise, e a auto-promoção dos DJs e Produtores espanhóis. No entanto, existem uns projectos de nuestros hermanos com uma visão diferente, e que poderão ter futuro, e que incidem sobre Hardcore Industrial, Speedcore e outras formas agressivas do género. Apesar de tudo, a cena espanhola online tem vários fóruns com uma grande afluência e muita actividade, e sites bastante dinâmicos, se bem que Makina seja o subgénero dominante, quase encarada como moda – um pouco como o Happy Hardcore era encarado na Holanda em 1995/96.

 

O que é Terror?

Terror foi um nome que surgiu devido a Ron D Core ter afirmado que as suas tracks (que são Speedcore) eram Terrorcore... Surge o diminutivo Terror, que é utilizado principalmente na Holanda para se referirem a Speedcore. No entanto repare-se que Terror e Speedcore não são bem coincidentes, segundo muitos Gabbers: Terror refere-se às vezes a músicas lentas, mas que são dark e potentes... Em Speedcore, o componente velocidade está sempre presente.

 

O que é Doomcore?

Doomcore é um termo mal definido que se refere usualmente ao Hardcore futurista, dark, lento produzido pela famosa label P.C.P. É mais uma corrente musical do que propriamente um subgénero.

 

O que é Deathcore?

Deathcore até poderia ser um sub-especialização de Terror... é Hardcore com Death Metal - o que nos remete para a label Kotzaak, que muitos afirmam produzir Deathcore.

 

O que é Gabberhouse?

Gabberhouse é uma palavra que significa basicamente Hardcore, embora usualmente apareça em compilações e música mais oldskool de origem holandesa. Foi inventada por DJ "Hardy" Ardy Beesemer no ínicio dos anos 90 para designar Hardcore.

 

O que é Digital Hardcore?

Pois é, nem sempre Hardcore necessita de uma batida distorcida e saturada para ser Hardcore. :P Digital Hardcore é o tipo de Hardcore produzido pela label D.H.R. (Alec Empire, Atari Teenage Riot, EC8OR), e mais recentemente, por outras labels e artistas (D-Trash por exemplo). Tem um estilo muito próprio, usando breakbeats, aproximando-se de certa forma de Jungle e também de Breakcore. No caso de A.T.R. junta Punk/Trash metal e Hardcore. A inovação é sempre algo patente, e a mistura de vários géneros musicais é imensa, o que leva mesmo a que alguém menos atento duvide que faça parte do universo hardcore. É curioso verificar que muitas musicas são construídas propositadamente com samples de má qualidade, para dar um feeling mais underground (e mais puro segundo alguns artistas). Por outro lado, a composição musical complexa e profissional pode ser encontrada nas maiores labels. A variedade é um pilar central, assim como as mensagens e críticas à sociedade.

 

O que é Jumper?

Não se pode considerar bem Hardcore, mas algumas músicas pela sua construção e samples fazem lembrar Newstyle Hardcore. É um estilo musical com um tempo lento e de melodías monótonas. É fácil encontrar a velha e usadíssima sample do "derrape de vinyl" neste estilo. A sua  força  reside apenas na batida. Existe também o Jump, que é uma variante do Techno belga.  Diferenciam-se por que este último é mais rápido e a sua batida não é tão potente. Mas são muito parecidos, e podemos mete-los no mesmo saco. Da Tekno Warriors (Paul Elstak & Neophyte) foram muito prolíficos neste género, e como sabem, muitas das músicas (infelizmente) aparecem nas compilações Thunderdome – digamos que este género Jumper, anda na borderline do que é Techno e do que é Hardcore Newstyle ultra-comercial, e que se podem encontrar músicas que se podem classificar como Hardcore (ainda que quase forçadamente) no meio disto tudo.

 

O que é Newstyle?

Newstyle, ou New Skool ou New Style Hardcore é o nome dado ao Hardcore comercial produzido desde 1997 até aos dias de hoje. Este é uma designação que esteve muito em moda em 1998-2000, mas que está a cair em desuso – não é nenhum subgénero, ou algo que se pareça, é mais uma corrente musical dentro de Hardcore Mainstream. Surgiu com o tema de Dark Raver e DJ Vince - Intelligent Hardcore, em 1997. A música tem B.P.M.s mais lentos que o típico Hardcore e as melodias são mais comerciais (não tanto como Happy Hardcore, são melodias Hardcore menos agressivas e com samples mais suaves). Actualmente, tornou-se mais violento nas letras e melodias, com batidas mais potentes, sendo hoje em dia produzido por célebres DJ's como Dj Paul Elstak ou Stunned Guys. Não deixa de soar, contudo, a Hardcore comercial, dedicado aos putos que querem parecer mauzões (apesar de algumas músicas serem já bem agressivas). Digamos que a melhor comparação é chamar-lhe o New Metal do Hardcore.

 

O que é Artcore?

Paralelamente, e coexistindo com Hardcore, surgiu por volta de 1994 esta corrente musical – que não se pode bem considerar um subgénero, mas um estilo de fazer Hardcore muito associado à label Ruffneck. Tem a mesma velocidade que Hardcore banal (180-220 BPM), mas com padrões influenciados por trance na sua estrutura. Muitas músicas feitas neste género, especialmente as dos últimos anos, têm melodias bem complexas, que variam entre o mais foleiro Hardcore comercial ao mais puro som dark com reminiscências de trance. O criador e principal produtor desta corrente dentro de Hardcore é Patrick van Kerckhoven (DJ Ruffneck, Wedlock, Juggernaut... o actual dono da Enzyme Records).

 

O que é frenchcore?

Frenchcore, como o nome indica, é o nome dado ao Hardcore francês produzido pela Epileptik, Bloc 46, Psychik Genocide, e outras labels similares, com artistas como Manu le Malin, Radium, Micropoint e mais recentemente, Micron e Speed Freak. Não é um subgénero, mas uma corrente dentro de Hardcore, que começou por ser abrasiva, industrial e agressiva, mas que se tornou algo monótona e relativamente suave ultimamente. Se haverá um retorno ao som inicial, é algo que o futuro dirá.

 

O que é Trancecore?

O nome diz tudo: Hardcore + Trance. Apesar de à primeira audição se identificar logo como Hardcore, percebe-se também imediatamente que a construção lembra as musicas de trance, e as samples e synths utilizadas são muito semelhantes. O ambiente da músicas é mais progressivo e melódico, do que propriamente cheio da típica repetição destrutiva de Hardcore. Ao contrário do que se possa pensar, nem todo o trancecore produzido é comercial, existindo tracks bem potentes e dark. Possivelmente, o primeiro tema Trancecore foi "Yes, No" por Leviathan. Este é dos produtores principais dentro da corrente trancecore, e a sua label – Cenobite –, além de ser praticamente a única que produziu durante muito tempo Trancecore, é bastante respeitada e requisitada em Raves (como a Thunderdome).

 

O que é Industrial?

Industrial é uma corrente imensamente vasta que abrange muitos géneros musicais distintos, desde o metal ao electro. Mas, esta corrente também atinge Hardcore, basicamente em 2 vertentes: as músicas produzidas por produtores "típicos" de Hardcore, que sejam abrasivas, e dark e...bem.. de sonoridade industrial! ; e a outra vertente, pouco conhecida pelos Gabbers e mais famosa dentro da cena de Power Noise/Industrial/EBM. Esta última vertente mostra-nos músicas que são ou muito similares a Hardcore (usualmente mais lentas e ambientais, o que não quer dizer mais suaves, pois algumas usam Noise e batidas muito saturadas), ou mesmo iguais a Speedcore ou Noisecore! Muitos CDs de artistas como Winterkälte, Converter, Panacea, Hypnoskull, Synapscape, Tumor, entre muitos outros, são extremamente similares ou iguais a Hardcore (e até no site Discogs.com são descritos e classificados muitas vezes como tal!). Venetian Snares seria um bom exemplo de um artista Hardcore que é bem conhecido neste meio. Panacea é um artista fundamental também neste meio, e que há muito aparece em compilações de Hardcore (e sob o pseudónimo Kate Mosh tem um álbum de Hardcore/Noisecore muito bom). Compilações que imensos Gabbers têm nas suas listas (e que são mais conhecidas no meio Power Noise/Industrial) têm, além de músicas Industriais, Electro e Noise, imensas músicas de Hardcore, Breakcore e até Speedcore – é o exemplo das Maschinenfest, Industrial Frequencies e das compilações da label Ant-Zen (que de resto, tem imensas releases  de qualidade, Hardcore-related, ou Hardcore Electronics, como gostam de referir). Temos é um problema de designação: apesar desta corrente (Power Noise e industrial extremo, próximo de Digital Hardcore e Noisecore) ser antiga, não é tão antiga como Hardcore ou Speedcore, ou mesmo Noisecore. Assim, chama-se de Power Noise, ou Industrial, ou mesmo Noise, a músicas que qualquer Gabber classificaria de Hardcore, Speedcore ou Noisecore. Não existe clara distinção neste campo, mas na minha opinião, e uma vez que o género mais antigo é Hardcore (e não Power Noise ou afins), uma vez que muitas labels desta corrente são fundadas por artistas com imensas influências Hardcore-Techno (alguns foram mesmo produtores de Hardcore em tempos), e ainda tendo em conta que a sonoridade é bastante mais próxima de Hardcore do que de Industrial/Electro/IDM ou Noise, se deveriam classificar muitas das releases como Hardcore (ou seus subgéneros) – tornaria as coisas mais simples e permitira a melhor compreensão entre duas cenas que mal se conhecem uma à outra. Estes géneros estão a aproximar-se já há muitos anos e imensos Rivetheads e Industrial freaks ouvem e compram Hardcore (usualmente Hardcore não comercial, Darkcore e Speedcore). E também muitos Gabbers vão a raves e concertos de Power Noise, sendo também fãs desta cena – e ultimamente têm-se visto raves que misturam artistas de Hardcore/Breakcore/Speedcore mais experimental com artistas da cena industrial. Não obstante, pode-se por vezes delimitar algumas diferenças entre este Hardcore Industrial e Hardcore/Speedcore/Noisecore mais típicos: as músicas são mais lentas, usam batidas menos 4/4, mais melodias e noise ambiente, e são mais abstractas e não tão "floor-oriented"; se procuram algo extremo, aqui poderão encontrar algumas releases bem poderosas, mas no entanto, não têm bastantes vezes a agressividade e poder desalmados que se encontram em tantas produções de Speedcore e Noisecore, e muitos Gabbers simplesmente acham esta corrente interessante, mas não tão agressiva como gostariam. O meu conselho é que oiçam e se preparem para algo diferente, pois apesar da iminente fusão e proximidade com o género Hardcore, as origens são algo diferentes, e no meio dos CDs de artistas desta corrente musical, vão encontrar maior variedade musical que numa habitual compilação Gabber, com músicas de Ambient, Electro e Noise a coexistir com aquelas tracks mais "Hardcore" e "Speedcore". De referir que esta cena está algo relacionada com Digital Hardcore (a Ant-Zen é uma label que cito novamente como um bom exemplo, mas poderiam pegar na C8 ou na D-trash também), e os artistas acabam por se influenciar mutuamente (muitas vezes o ponto de ligação entre um Gabber e um Rivethead acabar por ser a sonoridade da D.H.R.). Daí sublinhar a importância de neste meio se distinguir aquilo que no fundo, é também (sempre o foi) parte integrante da cena Hardcore – espera-se uma grande evolução e interacção entre géneros neste campo.  :)

 

O que é Schranz?

Schranz é um estilo de techno, mais propriamente Hard Techno. Para muitos é um sinónimo de Hard Techno, para outros é algo diferente. O termo "Schranz" surgiu em 1994, quando Chris Liebing descreveu com este nome, numa loja de discos sua, um tipo de techno que ali estava a passar. A palavra não tem nenhum significado particular. Este tipo de techno era mais agressivo e poderoso, e desde aí, o nome tem sido alvo de polémicas, e atribuído de forma muito abrangente. No entanto, é possível, como em tudo, sintetizar uma ideia geral.
Schranz, com velocidades entre 140-170 BPM (às vezes chegando aos 180/190 BPM no caso de sets de artistas mexicanos como Acid Flux), é caracterizado por ter uma batida forte, agressiva, e um ritmo progressivo, "pounding". Usualmente é construído a partir de loops 4/4, e utiliza samples que vão desde filmes a barulhos industriais. Pela descrição, parece que estou a falar de Hardcore mais lento!
Mas não... se bem que este subgénero de Techno utiliza até samples de Hardcore, e nos sets são incluídas por vezes músicas de artistas como Rude Awakening e mesmo Hardcore mainstream. Mas o género, como o nome Hard Techno indica, tem as suas raízes no techno, e a sua sonoridade é portanto, diversa da de Hardcore (cujas origens híbridas de techno e industrial o tornam singular).
Hardcore poderá ser caracterizado por uma batida mais "stomping", isolada, e Schranz como mais "pounding", progressiva. Mas isto pode induzir em erro, pois varia muito de subgénero para subgénero de Hardcore, e nem todo o Hard Techno é assim. Hard Techno/Schranz soa precisamente a um techno mais rápido, abrasivo, com batidas profundas e fortes a razar quase as batidas de Hardcore, enquanto que a batida Gabber em média é distorcida, mais agressiva, mais industrial – se bem que por vezes é mais seca e soft (considerando géneros como Frenchcore e Happycore, por exemplo). Em termos sonoros, basicamente o Schranz usa uma batida techno repetitiva num padrão 4/4, juntamente com alguma distorção/filtros e samples. O uso de melodias é muito restrito, e o ambiente é mais virado para a dança, ao contrário de Hardcore que tenta transmitir uma tonalidade mais industrial e tenebrosa; a complexidade musical não é avançada como em Darkcore ou Breakcore, sendo até bastante rudimentar em alguns aspectos. A criatividade e diversidade não são tão abundantes como em Hardcore – grande parte das músicas e temas são muito similares. Artistas exemplificativos deste género: HardtraX, Jackhamma, O.B.I., Acid Flux, Sven Wittekind, Tomash Gee, e em Portugal, DJ Kaijin e DJ Checkk. A sonoridade é típica, distinguindo-se as produções mais pelo ritmo/velocidade e pelos tipos de batida – no fundo é pegar nos sets dos diferentes artistas e notar a diferença. Labels principais a referir: Carnage, Tekktribe, Toptrax Recordings (responsável pelas compilações Schranz Total, com conceito similar a Thunderdome), Skull Tunes, Toolterror, Artillery, entre outras.
Nos sets, o som pode tornar-se mais rápido e a utilização de distorção e filtros torna o género muito parecido com Hardcore, e por vezes mais agressivo que muito Hardcore comercial e Happycore. Isto leva alguns membros da comunidade "Schranz" a pensar que Schranz/Hard Techno é mais agressivo ou pesado que Hardcore – o que até é uma ironia! No entanto, Schranz comparado com Hardcore Industrial, Darkcore, Hardcore underground, Terror, Speedcore, Noisecore, Breakcore ou Digital Hardcore é bem mais soft, e após ouvirem um set de Speedcore/Noisecore, um set de Schranz vai soar muito a um set de Techno qualquer, bastante suave e nada industrial! Assim se virem em algum lado escrito (como eu já vi) que Schranz é o estilo de música techno mais agressivo, não se enganem, esse lugar sempre foi, e sempre será ocupado pelo Hardcore-Gabber. Creio que nem se pode falar em comparação possível quando se toca a géneros extremos como Terror/Speedcore e Digital Hardcore/Noisecore, que são para o Schranz como o Grind é para Rock. Mas passando à frente, que os géneros não se medem pela agressividade apenas...
Muitas pessoas ouvem quer Hardcore, quer Schranz, e são fans de ambos os géneros, o que faz sentido, sendo ambos géneros "com batida" agressivos, ou formas mais pesadas de techno, se assim quiserem. Mas nem sempre as cenas se dão bem, pois as pessoas mais aguerridas de Hardcore consideram Schranz uma espécie de imitação rasca, enquanto que os fanáticos de Schranz consideram Hardcore ou agressivo demais, ou sem sentido – e muito desconhecem por completo o género reduzindo-o às manifestações comerciais de Gabber holandês de MOH. No entanto, existem bastantes raves onde co-existem artistas Schranz e Hardcore, e artistas de Schranz que produzem Hardcore (se bem que um pouco mais lento e monótono); e até labels de Hardcore que lançam música Schranz: é o caso da Third Movement que lançou em Setembro de 2005 uma release de Sandy Warez, em que uma das músicas é Hardcore industrial e as restantes Schranz! E melhor, em 2006 saiu o R_aw Essential .05 que é mixado pelo DJ Amok (produtor de Hard Techno/Schranz) e que contém tanto Schranz como Hardcore... e misturam bem em termos de ambiente, se bem que se nota a diferença de agressividade. Ou seja, no futuro, é capaz de haver fusão entre os géneros, afinal não tão distantes assim no espectro musical.

 

O que é Hardstyle?

Hardstyle é um género musical que surgiu em 1999/2000 na Holanda, produzido por artistas Hardcore ou ex-Hardcore como DJ Dana, Pavo, Luna, Darkraver, Prophet, entre outros. É um género híbrido de Techno e Trance, com reminiscências de Oldskool Hardcore e sonoridade semi-Newstyle. Ou seja, é caracterizado por batidas poderosas, mais similares a Hard Techno que a Hardcore, melodias "anthem-like", enérgicas e alegres, e por samples de Oldskool Hardcore e Newstyle do período 1997-2000. A velocidade ronda os 140-150 BPM. DJ Dana foi das principais responsáveis pelo aparecimento deste género, que é tocado juntamente com Hard House e NRG, e por vezes com Hard Trance e Hardcore muito comercial. Sensation Black é um belo exemplo de uma rave que utiliza muito este estilo. No entanto, o género que poderia até ser original, é muito comercial, e soa quase a uma imitação de velhas músicas oldskool Hardcore, recondicionadas para vender e chamar o público amante do trance e techno comercial. Ou seja, não é um subgénero de Hardcore, mas um descendente de Techno e Trance com um toque manhoso de Hardcore nas samples. Ultimamente algumas releases de Hardstyle têm ficado mais rápidas e agressivas, confundindo-se quase com o Newstyle Hardcore mais comercial ou músicas partycore da Korsakoff – mesmo assim, no entanto, mais suaves e menos dark, e sem comparação possível com Hardcore Gabber "a sério". No outro extremo, Hardstyle parece um techno/trance melódico. O facto das labels de Hardstyle serem subsidiárias de algumas labels de Hardcore conhecidas, torna o género confuso para quem entra neste mundo pela primeira vez: Danamite (sub-label da Third Movement, pertencente ao DJ Promo), V.I.P. Records (loja de Hardcore), Resident-E (label de Marc Acardipane!), Blutonium, Hitland, Q-Dance, entre muitas outras. No entanto, a reafirmar que não se trata de nenhum subgénero de Hardcore, mas de uma éspecie de Techno/Trance mais agressivo, que usa samples e nomes conhecidos de Hardcore para tentar juntar (e vender) para as ambas audiências.

 

O que é Rotterdam?

Roterdão, uma das cidades principais da Holanda, considerada o berço de Hardcore (ou a capital mundial do mesmo). Mas creio que isto já sabem. Muitas vezes chama-se Rotterdam Gabba (ou simplesmente Rotterdam) a Hardcore holandês (de Roterdão claro!) produzido entre 1991-95, e cuja sonoridade andava muitas vezes num misto entre Hardcore e Happy Hardcore. Outras vezes era caracterizado por batidas lentas mas muito potentes, repetitivas, com um tom muito dark e algo industrial. É uma designação algo vaga, e não designa um subgénero, mas mais um estereotipo de Hardcore (não creio que se possa sequer considerar como uma corrente musical defenida dentro de Hardcore). É um nome usado para referir certas musicas de um determinado período, e que ocasionalmente se aplica a outras mais recentes que fazem lembrar essas mesmas.

 

Quando nasceu Hardcore?

O género nasceu mais ou menos paralelamente ao Techno, ao contrário do que se possa pensar... daí não ser apenas um derivado do mesmo, mas um género à parte! Apesar de existirem algumas músicas oldskool de 1990, e de artistas primordiais de Hardcore fazerem já tracks em 1988, considera-se que Hardcore nasceu em 1990/1.

 

Qual a primeira música de Hardcore?

Apesar de muita controvérsia, considera-se "We Have Arrived" de Mescalinum United – Marc Acardipane da Planet Core Productions – como a primeira música de Hardcore de sempre. E foi criada em finais de 1989!!! É um título curioso para a primeira música deste género... Aqui têm a imagem do lendário (e excelente) álbum Reflections of 2017 (PCP 006) de 1990, onde a mesma fez a sua primeira aparição ao público.

 

Onde nasceu Hardcore?

Apesar de a primeira música ter sido produzido na Alemanha por Marc Acardipane, Hardcore/Gabber foi verdadeiramente desenvolvido na Holanda. Indubitavelmente, Roterdão é a capital mundial de Hardcore, tendo sido o berço deste género e local onde se deram as raves iniciais mais significativas. Alias Rotterdam Gabba é uma tendência de Hardcore bem conheçida e que existe desde sempre...

 

Onde nasceu Speedcore?

Apesar de muitos não o admitirem, Speedcore parece ter surgido na Alemanha por volta de 1993-4. No entanto, na Holanda também se desenvolvia paralelamente, o que torna esta questão complicada..

 

Onde nasceu Happycore?

Na Holanda! E neste momento ressurge em força no Reino Unido.

 

Onde nasceu digital Hardcore?

Na Alemanha! E pela mão de Alec Empire... supostamente, o primeiro álbum de digital Hardcore de sempre é Alec Empire – THe Destroyer. Mas é algo simbólico dizer isto, pois existem álbuns dos Atari Teenage Riot prévios a esse mesmo, e a própria D.H.R. (Digital Hardcore Recordings) foi criada previamente.

 

 


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Revisto: 20/01/07 05:46:58.